terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Luísa e a hora do beijo

Hoje percebi minha dependência afetiva!! De algum tempo pra cá tenho tentado ser madura e racional, equilibrada, se é que isso é possível. Entretanto hoje me deparei com minha fragilidade afetiva, ou uma certa necessidade de beijos e abraços.
A maternidade tem feito comigo, coisas surpreendentes. Coisas que eu tinha como certas e resolvidas surgem novamente como numa mágica, saltam, pulam e escapam de dentro de mim.
Digo isso por que minha filha de 3 anos e 3 meses costuma me pedir muitos beijos e amaços em algum horário do dia. Isso dura mais ou menos 30 min, mas é diário. parece um vício que ela precisa pra poder passar bem o dia. Eu sempre vi este momento como uma necessidade dela, como se eu fosse só o objeto do desejo e do prazer dela, feito um copo de bebida ou outra droga qualquer que sacia uma dependência. E me servia a ela porque de alguma maneira pensava que aquilo seria bom para o desenvolvimento afetivo dela.
Mas hoje percebi que essa necessidade não é só dela.....talvez até, eu necessite mais dela do que ela de mim. Talvez eu necessite mais dos beijos, abraços e grudes dela do que ela pode me dar e desta forma eu sempre sinto um vazio quando a deixo na escola e sempre sinto uma felicidade apertada de saudade quando a busco....então percebo que a maternidade realmente me coloca, a todo o momento, num paradoxo entre o eu e o outro, entre a razão e a emoção, entre o concreto e o não vísível....vejo que minha imaturidade ainda precisa a prender a conviver com os extremos e caminhar em direção ao dentro, onde os afetos se perdem na razão e não há mais culpa, nem ansiedade por tentar se diferenciarem por que são a mesma coisa de um contínum que estão em momentos diferentes de existência, mas necessitam um do outro pra poderem se manifestar com plenitude de intensidade.
Portanto Sr. Freud, parece que isso se aproxima da simbiose mas suspeito também que ultrapassa o conceito de patológico porque Penso!!!E nesse momento me diferencio e nos diferenciamos, e saímos mais inteiras como pessoas.
Luísa, em 3 anos já me mostrastes mais do que pude perceber em 10 anos de terapia e eu, espero que 10 anos de terapia possa contribuir pra que eu possa te acompanhar nas tuas descobertas. Um grande beijo. Te amo
Marzie