Coisas a fazer até segunda-feira:
Pessoais e conjugais:
Cortar os cabelos (ambos)
Fazer luzes(somente eu)
Fazer as unhas(somente eu, eu acho!)
Trocar os cartões de vacinação pelo internacional(moro num país tropical, abençoado por deus e bonito por natureza, mas que beleza..... )- Parafraseando a canção do Jorge Ben Jor
Comprar e finalizar os agradinhos para a família, amigos e conhecidos(essa é a parte boa dos preparativos!)
Fazer cálculos para deixar grana no banco....para pagar as contas, não é?
Comprar utensílios, mais que necessários, daqueles que não se compra sem receita médica no exterior.....paracetamol, feldene, antialérgico e, preservativos(mas esses se compra em quaqluer lugar, entretanto é bom levar para o caso de alguma emergência descontrolada...)
Coisas para Luísa:
Remédios(clenil nasal, predisim, claritin D, paracetamol, plasil ou dramim, hipoglós e fraldas, que chatice isso!)
Terminar de gravar os DVD'S
Escolher, com ela, os bonecos que vão junto
Fazer o treinamento de boa receptividade com a Família(que ela só conhece via ambiente virtual. Treinar o nome da vó, do vô, dos tios, dos primos, etc)
Fazer o treinamento para bons modos no avião(explicar que vai demorar, que ela vai dormir no avião, que ela não deve gritar nem ter piti no avião, que deve pedir para fazer xixi, que deve concordar em tirar o cocô das fraldas....enfim, espero que corra tudo bem.....que medo!)
Coisas Familiares:
Jantar segunda-feira, com amigos para confraternização de boas férias...Bia e Helô, vão para Torres(pegar uma praia), Rô, César e Jõao Vitor vão para Santa Catarina(pegar uma praia) e Eu, Fernando e Luísa vamos para Portugal(pegar um friozinho! E ver gente bonita e legal....que saudades estamos!)
Finalmente na terça-feira:
Arumação de malas...muitos casacos, blusões, camisetas, calças, meias e, lingeries(algumas sensuais, outras só pequenas, são as que tenho e gosto....rsrs)
Quarta-feira:
Porto Alegre-São Paulo: saída 12:35 chegada 14:10
São Paulo-Madri: saída 21:30 chegada 10:25
Madri-Lisboa: saída 11:45 chegada 12:00
Chegaremos, exaustos então!!!Mas muito felizes e saudosos....muitos choros e abraços de saudade....
Até breve então!
Crônicas e Abacates é um blog de literatura de cordel, transposto no limite do real/virtual. Aqui escrevo o que me der na telha, desde que seja do bem e nada mais.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
domingo, 13 de janeiro de 2008
O longe mora comigo
Eu Quero Sempre Mais
Pitty e Ira
A minha vida
Eu preciso mudar
Todo o dia
Pra escapar
Da rotina
Dos meus desejos
Dos teus beijos
Dos meus sonhos
Eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois
Não é bem aquela que planejei
Eu quero sempre mais,
eu espero sempre mais
De ti
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe
Tão longe de mim
Literatura Piegas
Marzie Damin
Perdoe-me por te querer
E não conseguir te cuidar
Perdoe-me por minha dependência
Perdoe-me por minha ausência
Perdoe-me por minha incompreesão
Perdoe-me por minha agressão
Perdoe-me por minha paixão....
Te amo e sei que não sei te amar
Te amo e não consigo te mostrar o mar
Te amo e fico ser ar
Porque te deixo escapar
És um pássaro livre
Queres que eu te segure
Queres que eu te prenda
Perdoe-me, eu não sei fazer isso
Eu só sei te amar
Por isso, perdoe-me por não saber te ter....
E....Perdoe-me por te querer
E não conseguir te cuidar
Perdoe-me por minha dependência
.....
Pitty e Ira
A minha vida
Eu preciso mudar
Todo o dia
Pra escapar
Da rotina
Dos meus desejos
Dos teus beijos
Dos meus sonhos
Eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois
Não é bem aquela que planejei
Eu quero sempre mais,
eu espero sempre mais
De ti
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe
Tão longe de mim
Literatura Piegas
Marzie Damin
Perdoe-me por te querer
E não conseguir te cuidar
Perdoe-me por minha dependência
Perdoe-me por minha ausência
Perdoe-me por minha incompreesão
Perdoe-me por minha agressão
Perdoe-me por minha paixão....
Te amo e sei que não sei te amar
Te amo e não consigo te mostrar o mar
Te amo e fico ser ar
Porque te deixo escapar
És um pássaro livre
Queres que eu te segure
Queres que eu te prenda
Perdoe-me, eu não sei fazer isso
Eu só sei te amar
Por isso, perdoe-me por não saber te ter....
E....Perdoe-me por te querer
E não conseguir te cuidar
Perdoe-me por minha dependência
.....
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Apologia ao café(zinho)
Há dois momentos do dia em que preciso de café. Quando acordo(não importa a hora) e ao final da tarde (por volta das 17 ou 18h). Digo preciso porque é, antes de tudo, uma necessidade fisiológica(assim como o sexo). Meu corpo todo exige um café(zinho) nesses horários, não adianta eu tentar disfarçar ou despistá-lo, ele se impõe no seu desejo e não me dá a menor chance de rejeitar o tal líquido escuro...E Eu, escrava da sua vontade, paro tudo o que estou fazendo, e vou fazer o café! Entretanto, para dizer-lhe que não vai me dominar assim no mole, estabeleci alguns critérios, que não abro mão de jeito nenhum. E não adianta nem tentar me convencer do contrário! São os seguintes:
Só tomo café feito na hora.....
O café não pode estar forte nem fraco, a medida é o meio termo!
Não tomo café expresso...só abro um remoto precedente se realmente for impossível, como no caso de eu estar em algum lugar que só ofereça café expresso e, mesmo assim, se o expresso for do jeito carioca, mais fraquinho!
Não tomo café com nenhum aromatizante ou outras porcarias artificiais qualquer!
Não tomo café que o pó não tenha sido embalado a vácuo, porque já fiz a excessão de dispensar o café moído na hora!!!(o que me custou muito.)
Não tomo café com adoçante, acidulante, aspartame ou outra coisa qualquer que não seja açúcar mascavo, podendo ser o branco também!
Então estabelecidos os critérios de dependência(que o corpo me impõe) e de convivência(que eu impus a ele), podemos sentar calma e tranqüilamente para degustar o bom e saudável "café nosso de todo o dia"!
Ah! Com cafeína é claro!!!!
Só tomo café feito na hora.....
O café não pode estar forte nem fraco, a medida é o meio termo!
Não tomo café expresso...só abro um remoto precedente se realmente for impossível, como no caso de eu estar em algum lugar que só ofereça café expresso e, mesmo assim, se o expresso for do jeito carioca, mais fraquinho!
Não tomo café com nenhum aromatizante ou outras porcarias artificiais qualquer!
Não tomo café que o pó não tenha sido embalado a vácuo, porque já fiz a excessão de dispensar o café moído na hora!!!(o que me custou muito.)
Não tomo café com adoçante, acidulante, aspartame ou outra coisa qualquer que não seja açúcar mascavo, podendo ser o branco também!
Então estabelecidos os critérios de dependência(que o corpo me impõe) e de convivência(que eu impus a ele), podemos sentar calma e tranqüilamente para degustar o bom e saudável "café nosso de todo o dia"!
Ah! Com cafeína é claro!!!!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Loucura
Pronto, estou desnuda, pensava. Ela se via como uma idiota imbecil, cheia de ciúmes....ciúmes pelo marido ter chegado em casa tarde, insegura pelas noites de abstinência de sexo, insegura porque já via seus cabelos brancos(eram poucos, quase imperceptíveis, mas para ela eram muitos), insegura porque seus peitos haviam caído(antes de ter filhos eles eram em formato de pêra), insegura porque não era perfeita e estava longe de ter um corpo escultural(que para ela significava um corpo um pouco anoréxico, feito o das modelos), insegura porque estava em casa, já não conseguia sair, sentia pânico das pessoas....
E Ele lindo, radiante, alto com cabelos grisalhos, ainda tinha muito fogo mas às vezes dormia à noite e não queria saber de sexo, pernas longas e uma leve barriguinha que ela achava sedutora. Ele saía pela manhã e voltava só à noite, depois de um dia de trabalho....
Mas por onde Ele andava? Quem eram suas colegas de trabalho? Como eram os corpos delas? Eram louras? Eram sedutoras? Será que ele seria capaz de beijar alguma colega? E se sim? O que ela faria? E todas as promessas de fidelidade que ele havia feito? Será que eram mentiras?
Então olhou-se no espelho, pegou a bolsa e saiu. Entrou num bar, olhou para um jovem que estava sentado tomando um café, foi até ele e sem deixá-lo falar agarrou-o e beijou-o, depois levou-o a um motel e por duas horas fez sexo de maneira voraz.....Depois se despediu e saiu do quarto sem ao menos perguntar o nome do jovem, também não disse o seu. A única coisa que perguntou ao rapaz foi sua idade. Descobriu que ele tinha 19 anos(e ela 39). Saiu do motel sentindo um misto de satisfação e desforra, consigo e com o marido. Ao chegar em casa encontrou o marido terminado o jantar, com a mesa posta, no cento da mesa velas e rosas vermelhas, já havia colocado as crinças para dormir. Quando Ele a viu disse-lhe com um sorriso aberto de felicidade:
Quem bom te ver, estive com saudades hoje.......eu te amo!!!!
E Ele lindo, radiante, alto com cabelos grisalhos, ainda tinha muito fogo mas às vezes dormia à noite e não queria saber de sexo, pernas longas e uma leve barriguinha que ela achava sedutora. Ele saía pela manhã e voltava só à noite, depois de um dia de trabalho....
Mas por onde Ele andava? Quem eram suas colegas de trabalho? Como eram os corpos delas? Eram louras? Eram sedutoras? Será que ele seria capaz de beijar alguma colega? E se sim? O que ela faria? E todas as promessas de fidelidade que ele havia feito? Será que eram mentiras?
Então olhou-se no espelho, pegou a bolsa e saiu. Entrou num bar, olhou para um jovem que estava sentado tomando um café, foi até ele e sem deixá-lo falar agarrou-o e beijou-o, depois levou-o a um motel e por duas horas fez sexo de maneira voraz.....Depois se despediu e saiu do quarto sem ao menos perguntar o nome do jovem, também não disse o seu. A única coisa que perguntou ao rapaz foi sua idade. Descobriu que ele tinha 19 anos(e ela 39). Saiu do motel sentindo um misto de satisfação e desforra, consigo e com o marido. Ao chegar em casa encontrou o marido terminado o jantar, com a mesa posta, no cento da mesa velas e rosas vermelhas, já havia colocado as crinças para dormir. Quando Ele a viu disse-lhe com um sorriso aberto de felicidade:
Quem bom te ver, estive com saudades hoje.......eu te amo!!!!
domingo, 6 de janeiro de 2008
causo
A véia, o padre, o quitandeiro e o agente se seguros - no causo do seu ventinho
O agente de seguros, da cidade vizinha, procurava pela cliente, mulher de um tal ventinho. Avistou uma quitanda, que localizava-se logo na entrada do vilarejo, e aproximando-se do quitandeiro perguntou-lhe sobre a tal mulher do tal ventinho.
Meio desconfiado o quitandeiro, foi logo falando que a história da tal mulher era coisa do demônio, de uma maldição qualquer mas se ele queria muito saber, poderia contar o causo.
O agente de seguro afirmou-lhe que precisava muito saber do paradeiro da esposa do tal ventinho. O tom da voz do quitandeiro também tinha-lhe causado um misto de vontade de rir e curiosidade pelo causo.
Então o quitandeiro puxou um rolo de fumo, pegou dois bancos de palha e colocou-os na porta da quitanda e, enquanto começava a picar o fumo disse: - Se aprochegue cumpadre, vou contar tim tim por tim tim o causo da véia e a desgraça que se abateu sobre ela.
A véia tinha por volta de 90 anos. Durante a vida teve, pra lá de uns dez fios (pelo que ela lembrava, mas não sabia ao certo se eram tantos assim). Na época, diziam que o vento que vinha de baixo trazia filhos. Ela nunca entendeu muito bem o que o tal dito queria dizer, mas desconfiava que tivesse relação com o nome de seu marido. Ele se chamava ventinho, porque tinha nascido em uma noite que soprava um ventinho.
Do paradeiro dos filhos, não tinha a menor idéia, conta o boato de que haviam sumido num dia de ventania. O marido, o tal ventinho, parece que foi levado embolado numa linha de pipa. Alguns comentam que a mesma ventania levou os filhos e o ventinho – embolado na linha de pipa.
Despois desse ocorrido cumpadre, a véia se voltou para a religião, como que tentando encontrar uma explicação para tal desgraça.
O senhô excelentíssimo seu padre da paróquia, Wolfgan Severino da Silva (um mulato alto e de olhos azuis) já há muito tinha desistido de ouvir as lamentações da véia. Certa vez mandou a véia rezar 2500 pai nosso e o dobro em ave maria, para ver se ela passava algum tempo sem lhe apoquentar as idéia. Não adiantou! Enquanto rezava, andava atrás do sinhô seu padre se lamentando e pedindo a Deus para lhe trazê o ventinho de novo, podia ser numa outra ventania ou numa tempestade, mas queria ele de vorta.
Já havia se passado 10 anos do sumiço do ventinho e a véia continuava todos os dia na sua lamentação, do lado do padre para modo de lhe torrar os ouvidos.
Dia e noite ela ali, do lado do padre, pedia pelo Ventinho.
Diz que certa vez o padre pensou: Vou dar um trato nesta velha! Quem sabe se ela for consultar a Mãe Mizifia no terreiro? Peço para macumbeira, encher a velha de charuto, pode até defumá-la, e colocá-la no chão. Eu sei que essa coisa de “ir para o chão”, a pessoa fica lá de barriga para baixo, estirada no chão por, pelo menos, dois ou três dias, então ela me dá um refresco – pensou o padre.
E lá foi a véia pra o terreiro da Mãe Mizifia. Três dias despois estava a véia a chamar pelo padre para que ele desse a extremunção na Mãe Mizifia, que tava convalescendo no hospital. Despois de fumar tanto charuto, teve um ataque cardíaco tentando defumar a véia para tirar aquele Exu Tranca-rua-das-almas, que se apossou do corpo da véia. Então lá foi o Padre fazer aquela mal dita extremunção! Mais vontade ele tinha era de encher a Mãe Mizifia de pancada. Macumbeira desgraçada era a velha que tinha que estar neste hospital! –Pensava o padre.
O padre já havia afrouxado os miolo da cabeça e ficou num desvairiu, também pudera, se contava vinte anos e o Exu Tranca-rua-das-almas que tava no corpo da véia não desencarnava! Ele já até acreditava na umbanda e na Mãe Mizifia. Em outra época, tinha pedido ao Bispo que o transferisse de paróquia, mas obteve a negativa do santíssimo Bispo sob a alegação de que ele estava passando por uma provação e deu autorização para que o padre usasse do exorcismo para tirar o diabo do corpo da véia. Num tinha jeitio!
Então um dia o padre recebeu uma iluminação, um sinar, um clarão, desconfio que era o cabloco da Mãe Mizifia, vindo diretamente do terreiro do céu, pra modo de se vingá da veia, que disse-lhe: - Há um tal de Cabra Macho que anda vagando por aí e adora comer criancinhas e velhinhas. Logo o padre pensou: Se ele gosta de comer criancinhas e velhinhas, vou pagá-lo para dar cabo nesta velha! Depois ele pode comê-la como quiser. Com alho e óleo, à vinagrete, ao molho vermelho ou pesto, até assada. Sei lá ele que se vire, contanto que suma com a velha, os fins justificam os meios. Entonces, chamou o sr. Cabra Macho e contratou o serviço do homem. Acertô o local, o dia a hora e o preço. Ainda disse, como se estivesse na missa: - Depóóis o sr. sóóme tambéêm sr Cabra Macho. Sim senhô, vóis missê excelentíssima santidade, pode deixar, o serviço tá contratado e eu honro com minhas palavra. Vô pegá essa véia de quarqué jeito! Respondeu o sr. Cabra Macho.
Despois ouviu-se falar que a véia deu um trabáio ao Cabra Macho! Dizem que ela só concordou mesmo em ser comida, se ele desse a ela o direito ao último desejo: VER O VENTINHO.
Entonces, o povo comenta, que o Cabra Macho, se vestiu de Ventinho e se apareceu na frente da véia, mais ou menos longe, que era pra véia num desconfiá. Diz que a véia ficou tão contente que morreu de sopro no coração. Depois o Cabra Macho assô ela todinha, espetada num bambu. Quando terminou de comer, pegou o ossinho do dedo minguinho dela pra palitar os dentes. E não é que o tal ossinho envergou da mão do sr. Cabra Macho e foi direto em direção a guela do Cabra Macho, que depois de tanto se bater na tentativa de tirar o ossinho da garganta, morreu de asfixia.
E o Padre, depis de saber da tragédia amaldiçoada, resorveu abandonar a batina, para modo de ter se sentido curpado pela morte da véia, e foi viver uma vida de pecados. Hoje ele vévé lá pras banda do desfiladeiro, mora na zona, e se chama Wanderléia. Do nome antigo só manteve o dobre V.....
Entonces cumpadre, essa é a história amaldiçoada da véia, mas o que o senhô quer com ela? Falou o quitandeiro esbanjando um riso sinistro e mostrando os caninos.
Nada não, ou melhor, já fiquei sabendo tudo o que eu precisava saber. Falou o agente de seguros, demonstrando palidez e foz trêmula.
De qualquer maneira, muito obrigado, tenho um compromisso agora e já estou atrasado. Levantou-se num sopetão, olhou para o quitandeiro, pediu desculpas pelo banco molhado e saiu numa disparada.
Peraí cumpadre, não vai querê levá umas sarchichas fresquinhas que eu mesmo fiz? Falou o quitandeiro dando aquele riso sinistro e mostrando os caninos.....
O agente de seguros, da cidade vizinha, procurava pela cliente, mulher de um tal ventinho. Avistou uma quitanda, que localizava-se logo na entrada do vilarejo, e aproximando-se do quitandeiro perguntou-lhe sobre a tal mulher do tal ventinho.
Meio desconfiado o quitandeiro, foi logo falando que a história da tal mulher era coisa do demônio, de uma maldição qualquer mas se ele queria muito saber, poderia contar o causo.
O agente de seguro afirmou-lhe que precisava muito saber do paradeiro da esposa do tal ventinho. O tom da voz do quitandeiro também tinha-lhe causado um misto de vontade de rir e curiosidade pelo causo.
Então o quitandeiro puxou um rolo de fumo, pegou dois bancos de palha e colocou-os na porta da quitanda e, enquanto começava a picar o fumo disse: - Se aprochegue cumpadre, vou contar tim tim por tim tim o causo da véia e a desgraça que se abateu sobre ela.
A véia tinha por volta de 90 anos. Durante a vida teve, pra lá de uns dez fios (pelo que ela lembrava, mas não sabia ao certo se eram tantos assim). Na época, diziam que o vento que vinha de baixo trazia filhos. Ela nunca entendeu muito bem o que o tal dito queria dizer, mas desconfiava que tivesse relação com o nome de seu marido. Ele se chamava ventinho, porque tinha nascido em uma noite que soprava um ventinho.
Do paradeiro dos filhos, não tinha a menor idéia, conta o boato de que haviam sumido num dia de ventania. O marido, o tal ventinho, parece que foi levado embolado numa linha de pipa. Alguns comentam que a mesma ventania levou os filhos e o ventinho – embolado na linha de pipa.
Despois desse ocorrido cumpadre, a véia se voltou para a religião, como que tentando encontrar uma explicação para tal desgraça.
O senhô excelentíssimo seu padre da paróquia, Wolfgan Severino da Silva (um mulato alto e de olhos azuis) já há muito tinha desistido de ouvir as lamentações da véia. Certa vez mandou a véia rezar 2500 pai nosso e o dobro em ave maria, para ver se ela passava algum tempo sem lhe apoquentar as idéia. Não adiantou! Enquanto rezava, andava atrás do sinhô seu padre se lamentando e pedindo a Deus para lhe trazê o ventinho de novo, podia ser numa outra ventania ou numa tempestade, mas queria ele de vorta.
Já havia se passado 10 anos do sumiço do ventinho e a véia continuava todos os dia na sua lamentação, do lado do padre para modo de lhe torrar os ouvidos.
Dia e noite ela ali, do lado do padre, pedia pelo Ventinho.
Diz que certa vez o padre pensou: Vou dar um trato nesta velha! Quem sabe se ela for consultar a Mãe Mizifia no terreiro? Peço para macumbeira, encher a velha de charuto, pode até defumá-la, e colocá-la no chão. Eu sei que essa coisa de “ir para o chão”, a pessoa fica lá de barriga para baixo, estirada no chão por, pelo menos, dois ou três dias, então ela me dá um refresco – pensou o padre.
E lá foi a véia pra o terreiro da Mãe Mizifia. Três dias despois estava a véia a chamar pelo padre para que ele desse a extremunção na Mãe Mizifia, que tava convalescendo no hospital. Despois de fumar tanto charuto, teve um ataque cardíaco tentando defumar a véia para tirar aquele Exu Tranca-rua-das-almas, que se apossou do corpo da véia. Então lá foi o Padre fazer aquela mal dita extremunção! Mais vontade ele tinha era de encher a Mãe Mizifia de pancada. Macumbeira desgraçada era a velha que tinha que estar neste hospital! –Pensava o padre.
O padre já havia afrouxado os miolo da cabeça e ficou num desvairiu, também pudera, se contava vinte anos e o Exu Tranca-rua-das-almas que tava no corpo da véia não desencarnava! Ele já até acreditava na umbanda e na Mãe Mizifia. Em outra época, tinha pedido ao Bispo que o transferisse de paróquia, mas obteve a negativa do santíssimo Bispo sob a alegação de que ele estava passando por uma provação e deu autorização para que o padre usasse do exorcismo para tirar o diabo do corpo da véia. Num tinha jeitio!
Então um dia o padre recebeu uma iluminação, um sinar, um clarão, desconfio que era o cabloco da Mãe Mizifia, vindo diretamente do terreiro do céu, pra modo de se vingá da veia, que disse-lhe: - Há um tal de Cabra Macho que anda vagando por aí e adora comer criancinhas e velhinhas. Logo o padre pensou: Se ele gosta de comer criancinhas e velhinhas, vou pagá-lo para dar cabo nesta velha! Depois ele pode comê-la como quiser. Com alho e óleo, à vinagrete, ao molho vermelho ou pesto, até assada. Sei lá ele que se vire, contanto que suma com a velha, os fins justificam os meios. Entonces, chamou o sr. Cabra Macho e contratou o serviço do homem. Acertô o local, o dia a hora e o preço. Ainda disse, como se estivesse na missa: - Depóóis o sr. sóóme tambéêm sr Cabra Macho. Sim senhô, vóis missê excelentíssima santidade, pode deixar, o serviço tá contratado e eu honro com minhas palavra. Vô pegá essa véia de quarqué jeito! Respondeu o sr. Cabra Macho.
Despois ouviu-se falar que a véia deu um trabáio ao Cabra Macho! Dizem que ela só concordou mesmo em ser comida, se ele desse a ela o direito ao último desejo: VER O VENTINHO.
Entonces, o povo comenta, que o Cabra Macho, se vestiu de Ventinho e se apareceu na frente da véia, mais ou menos longe, que era pra véia num desconfiá. Diz que a véia ficou tão contente que morreu de sopro no coração. Depois o Cabra Macho assô ela todinha, espetada num bambu. Quando terminou de comer, pegou o ossinho do dedo minguinho dela pra palitar os dentes. E não é que o tal ossinho envergou da mão do sr. Cabra Macho e foi direto em direção a guela do Cabra Macho, que depois de tanto se bater na tentativa de tirar o ossinho da garganta, morreu de asfixia.
E o Padre, depis de saber da tragédia amaldiçoada, resorveu abandonar a batina, para modo de ter se sentido curpado pela morte da véia, e foi viver uma vida de pecados. Hoje ele vévé lá pras banda do desfiladeiro, mora na zona, e se chama Wanderléia. Do nome antigo só manteve o dobre V.....
Entonces cumpadre, essa é a história amaldiçoada da véia, mas o que o senhô quer com ela? Falou o quitandeiro esbanjando um riso sinistro e mostrando os caninos.
Nada não, ou melhor, já fiquei sabendo tudo o que eu precisava saber. Falou o agente de seguros, demonstrando palidez e foz trêmula.
De qualquer maneira, muito obrigado, tenho um compromisso agora e já estou atrasado. Levantou-se num sopetão, olhou para o quitandeiro, pediu desculpas pelo banco molhado e saiu numa disparada.
Peraí cumpadre, não vai querê levá umas sarchichas fresquinhas que eu mesmo fiz? Falou o quitandeiro dando aquele riso sinistro e mostrando os caninos.....
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Brincando com as palavras
Geniais são as palavras, se bem faladas e bem compreendidas.
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um significado único
Há uma sonoridade estreita e específica
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um sentimento único
Transposto e decodificado em imagens estreitas e específicas
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um universo único
De dimensões estreitas e específicas
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um ouvido único
De significações sonoras, que decodificam as imagens e reinventam universos únicos e específicos
Então se és bom ouvinte, entendes o que te digo e sentes que te sinto
Apesar de nossos universos serem intangíveis e impossíveis de compartilhar
Eu sempre quero falar e preciso muito te ouvir!
Geniais são as palavras, se bem faladas e bem compreendidas.
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um significado único
Há uma sonoridade estreita e específica
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um sentimento único
Transposto e decodificado em imagens estreitas e específicas
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um universo único
De dimensões estreitas e específicas
Para cada palavra falada, pela escrita ou pela fala, há um ouvido único
De significações sonoras, que decodificam as imagens e reinventam universos únicos e específicos
Então se és bom ouvinte, entendes o que te digo e sentes que te sinto
Apesar de nossos universos serem intangíveis e impossíveis de compartilhar
Eu sempre quero falar e preciso muito te ouvir!
Geniais são as palavras, se bem faladas e bem compreendidas.
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