quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Século XXI

Moradores de um arranha-céu futurista, os Jetsons são uma família do século XXI, época em que robôs e os aparelhos super modernos tornaram a vida mais fácil e ...
Lembrei-me dos Jetsons hoje. O motivo: Eu fui fã incondicional da animação. Pensava que quando chegasse aos 30 anos eu andaria naqueles carrinhos espaciais, moraria na lua e teria todos aqueles robôs convivendo na minha casa. Imaginava acessar a geladeira antes de chegar, pedir a comida - que estaria pronta - quando eu finalmente, subiria naquela esteira rolante dentro de casa, acompanhada de toda a parafernalia de braços mecânicos a me tirar o casaco, alcançando-me água, escovando meus dentes, pegando minhas coisas etc. Que maravilha, isso seria o paraíso!
Hoje estou com 37 anos e o máximo que consegui chegar, foi perto de uma máquina, altamente eficiente, mas burra, chamada pelo codinome COMPUTADOR. Quando foi inventada, tinha o propósito de liberar o homem dos afazeres operacionais. Com isso a criatura humana teria mais tempo para se dedicar à sua vocação essencial: O PENSAMENTO.
Pois passado algum tempo da tal invenção me surpreendo com o fato de eu ter de entender de hardware e software, da tal máquina, de codinome COMPUTADOR, quando o técnico de informática apareceu na minha casa para reparar a máquina burra. Pensei: ora! Eu, que não tenho nada a ver com com essa área de conhecimento, qual seja a informática, tenho de falar ao técnico o que acho que a máquina têm!
Então pensei: que paradoxo, esdrúxulo! Além de PENSAR, que é a vocação humana essencial, tenho que entender da operação da coisa! Tenho de entender dos chips, dos transístores, dos fios, dos curtos circuitos e dos programas compatíveis e incompatíveis, enfim....E me dei conta de que eu gasto mais tempo tentando entender o por quê dos problemas desta máquina burra, de codinome COMPUTADOR, do que PENSANDO!!!
Então, Jetsons, me salvem!!!No seu espaço sideral as máquinas são perfeitas!!!Tenho uma notícia para dar-lhes: aqui na terra, as máquinas parecem perfeitas. Mas ando desconfiada que isso é papo de vendedor! O micro ondas não funciona como deveria, o celular perde o sinal, os aviões caem e os COMPUTADORES param do nada....
Acho que vou pegar a minha enxada e vou voltar para a roça. Quando eu quiser me comunicar vou usar sinal de fumaça e quando quiser me locomover, pego meu pangaré. Ele anda quilómetros e ainda me faz compania.....

domingo, 16 de dezembro de 2007

Lanterna dos desesperados

Hoje amanheci com vozes que vinham da tv. Era o jogo do Milan e Boca Juniors. Para minha surpresa Milan ganahva o jogo por 4 X 1. Lá estavam em campo argentinos, brasileiros e italianos. Todos latinos mas uns americanos e outros não. Isso nos diferencia muito. Temos um oceâno que nos separa. Eu vi nos olhos dos italianos a sabedoria dominante e imponente, da condição de saber como se ganha uma guerra e de saber como se domina os índios. Eles estavam firmes, esplêndidos, absolutos em campo. Tinham um olhar que remetia ao infinito, como se estivessem revivendo uma batalha ao mesmo tempo que pisavam no campo com a propriedade de quem legitima uma conquista. E os índios louros castelhanos? São também exuberantes, tem olhos azuis mas pele parda. Naquele momento estavam atônitos, sabiam da arrogância gravada seu no código genético, pelos seus colonizadores, mas se mostravam como índios. Mostravam-se frágeis, derrotados, com a dor na alma de quem não conseguiu demarcar o território, de quem perdeu a referência idealizada de se impor como raça latino americana, que insiste em acreditar que sua pátria, finalmente, pode derrotar os bárbaros. No fundo era isso que estava significando aquele jogo, a desforra dos colonizados sobre os colonizadores. Entretanto estavam lá, argentinos doídos, tomados pela emoção de fracasso como se não estivessem acreditando; como se o seu mundo tivesse ruído. Foi isso mesmo, o mundo ruíu enquanto a torcida cantava um canto de louvor misturado com dor. Então eles voltarão para casa, derrotados e idolatrados. Afinal, Deus é o refúgio dos desesperados da latino américa.
Mi hermanos, compartilho do seu sofimento, apesar das nossas diferenças gosto do seu tango!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Sentimentos

Absoluto

Naquela manhã ela acordou de ressaca. Escorreu pela cama, tentando desvencilhar-se dos lençóis. Os olhos pareciam ter areia. Havia perdido os óculos de sol. Antes dava desculpa que tinha outras prioridades para comprar. Mas agora já não se incomodava com o sol da manhã, ferindo os olhos e cegando-lhe a visão. Já não era mais preciso se esconder, já não precisava mais de filtro para ver. Naquela manhã via tudo o que não conseguia aceitar, via tudo o que sempre lhe deu medo, via todos os seus medos.
Havia sido um longo período de febre. Febre que lhe queimava a alma, que lhe causava angústia, que não encontrava um mundo. Sim não se sentia naquele mundo, mas sabia que estava e dependia dele. Mas naquela manhã isso já não importava. Enfim, tinha conseguido aceitar a impotência de não ter domínio do seu próprio desejo. Desejo que lhe saia pelos poros, como um suor de febre baixando, involuntário e absoluto. Sem que ela quisesse, lhe escapava. E ela olhava o mundo com a superioridade de quem está lúcido, de quem está refém e não tem nada a perder. A fome já não lhe provocava desconforto, não precisava mais ser preenchida, só precisava respirar porque estava com medo.
Estava a descobrir seus prazeres, seus desejos e suas necessidades. Não era tempo para decisões superficiais, daquele momento para frente sua vida tomaria outro rumo e por conseqüência, teria que abandonar alguns sonhos. O escuro do devir lhe provocava um misto de alegria e pânico. Um território nunca pisado antes, agora tão presente, premente, prevalente, imponente. Não tinha mais forças para negá-lo e rejeitá-lo. Não se dominava mais!
Então ela se desvencilhou dos lençóis, lavou os olhos cheios de areia com as lágrimas contidas pelo o tempo em que esteve febril e com o sofrimento mais profundo decidiu abandonar-se no suor e no fogo que queimava sua alma.
Ela se entregou para ser possuída e consumida pelo desejo, pelo que hoje entende ser a única possibilidade de respirar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Entre pensamentos e labirintos

Tenho tentado descobrir o que me dá prazer. As vezes fico achando que sou uma errante. Errante de afetos, porque a vida me comove. Hoje fui trabalhar ouvindo alguns noticiários. Um deles me chamou atenção. Era sobre pessoas que vivem na rua. Alguns analistas teciam seus comentários sobre a problemática destes moradores-pedintes. Os burocratas do governo se posicionavam falando à população para que não dessem esmolas, diziam eles: dar dinheiro não resolve o problema, temos que dar oportunidade!

Ora cara pálida, quem pode dar oportunidade? Que sociedade é essa que discursa em dar oportunidade e não se preocupa em produzir capital intelectual? Que sociedade é essa que exporta a idéia de excêntrica e pós-moderna, para o olhar míope do estrangeiro que faz turismo nas favelas? Que samba é esse que tem a soberba nas mãos dos cirurgiões plásticos, a ira na justiça e a vaidade no judiciário?Que sociedade é essa que tem nos empresários a gula e no governo a luxúria? Que samba é esse que tem nos deputados e senadores a avareza em toda sua plenitude?Que sociedade é essa que faz seu povo sentir ira por ser desrespeitado e mal tratado? Que samba é esse? Não, não quero a preguiça. Este samba não me serve nem se for de uma nota só!

Pronto, já sinto meu estômago melhor!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

As metáforas e meus pensamentos

Talvez eu não consiga dizer tudo o que se passa no hoje, no entre o eu e a vida, mas há duas música que podem se aproximar bastante do que eu sinto agora:

Quase Sem Querer
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar prá todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada prá ninguém...
Me fiz em mil pedaços
Prá você juntar
E queria sempre achar
Explicação pr'o que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir prá si mesmo
É sempre a pior mentira...
Mas não sou maisTão criança, oh! oh!
A ponto de saber tudo...
Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê...
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você...
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?...
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto...
Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê..
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você...


Vida Louca Vida
Cazuza
Composição: Lobão/Bernardo Vilhena

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu to carente''
Eu sou manchete popular
'Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar
Se ninguém olha quando você passa você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual
Se niguém olha quando você passa você logo diz 'Palhaço'
Você acha que não tá legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal
Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu tô carente''
Eu sou manchete popular
'Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar
Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Não gosto de relógios

Não gosto de relógios...

Desconfio de que isto esteja associado a uma incapacidade de viver o tempo previsto, ou antevisto.

Não sei, mas sinto-me amarrada a um modo de viver artificial e encaixotado. Como se tudo que pudesse vir a ser, já o é por antecipação, porque as horas me dizem que será assim. E quando não acontecem naquela hora, ou naquele tempo.....é frustrante e estressante.

Então aprendi a olhar o relógio somente para me dar a referência necessária e suficiente. No mais, prefiro me orientar pelo sol, pelos ventos ou pela posição da lua. É certo que quando não há lua, sequer sei as horas, mas isso não me causa ansiedades porque me surpreendo com o devir do momento presente. Me surpreendo com o que vejo porque estou ali presente e inteira!

Quando estou no tempo do agora, nada mais existe, somente eu e o mundo.

Neste mundo ansioso, acho que prefiro me orientar com um bússola...o resto deixo para que meu relógio biológico faça sua parte quando tenho que ir para reuniões.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Conto de Apresentação

CONTO DE APRESENTAÇÃO


Vou contar uma história um pouco trágica, um pouco cômica. É a história de quando fui assaltada pela literatura:

Eu: - Literatura?
Eu comigo mesma: - É....literatura sim!!!!

Que palavra estranha é essa.
Num primeiro resvalo fiquei tentando imaginar de onde ela vem....
Quem sabe pode ser do latim, de litus (acho que é assim, pois todas as palavras em latim terminam com us?!...ou não?) ou quem sabe essa palavra vem de lettera? – Será que os italianos inventaram a literatura? Se foram eles vou pedir uma indenização por danos ao meu cérebro. Enfim...depois de tanto procurar achei!!!!!Vem mesmo do latim: litteratura.
Fiquei ali pensando em como essa coisa me atormentava. Eu precisava saber o que eu ia fazer com todas aquelas palavras e imagens que invadiam a minha mente. E, eu, desesperada, saí correndo. – Saiam verbos, preposições, conjugações e concordâncias....
Ahhh!! As concordâncias e os objetos diretos eram os piores. Eles se juntavam às figuras de linguagem e desenhavam estórias. E elas martelavam a minha cabeça o dia inteiro, toda hora, minutos, segundos e até milésimos de segundos....isso era enlouquecedor. E assim foi por anos. Já nem me lembro desde quando eu convivia com aquela coisa.....parecia um Alien. É isso!!!! O alien...o oitavo passageiro! A Sigorne Heaver tinha conseguido desvendar o enigma da literatura para mim.....A literatura deveria ser um bichinho esquisito e golesmento de outra galáxia....
Então me armei para me defender: comprei todas as armas, desde um martelo(talvez ela tivesse cabeça) até a mais sofisticada arma tecnológica.....a energia!!!!
Agora eu estava pronta; só à espreita para quando ela surgisse, de um só solapo, acabaria com ela. Esperei, esperei e esperei...esperei sentada, esperei em pé, esperei dormindo, esperei fumando cigarros(aqueles objetos caracterizados por serem uma palha enrolada num papelzinho branco, cujas pessoas que os consomem são consideradas as leprosas da contemporaneidade, ou seja, expurgadas do convívio social).....Então...um dia ela chegou!!e chegou de forma arrasadora. Chegou passando por cima de mim.....e nos agarramos...brigamos longos dias e noites...eu só pensava no martelo....vou acertar sua cabeça(é...ela tinha cabeça...!)...mas eu não conseguia, e quanto mais eu lutava, mais força ela adquiria e maior ela ficava.
Foi quando exausta e quase sem forças eu comecei a relaxar, quase sem respirar fui ficando calma, calma, calma...e um silêncio tomou conta do meu corpo, já não conseguia me mexer, sentia-me flutuando e uma intensa luz penetrava nos meus olhos e me puxava a um não sei que lugar....nesse momento ela me possuiu! Então percebi que ela e eu somos a mesma energia, e ela me mostrou um mundo tão assustador por ser grandioso e infinito! Eu agora estava acompanhada de todos os fantasmas das histórias e romances, de todas as línguas, de todas as poesias e de todos os amores. Que loucura pensei!!?
Agora ando vagando por aí, com a minha bicicleta e olhando o mundo maravilhada....E o martelo eu guardei para o acaso de um dia eu precisar brigar com outras coisas como a música, o teatro, o canto, o desenho, a pintura........

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Luísa e a hora do beijo

Hoje percebi minha dependência afetiva!! De algum tempo pra cá tenho tentado ser madura e racional, equilibrada, se é que isso é possível. Entretanto hoje me deparei com minha fragilidade afetiva, ou uma certa necessidade de beijos e abraços.
A maternidade tem feito comigo, coisas surpreendentes. Coisas que eu tinha como certas e resolvidas surgem novamente como numa mágica, saltam, pulam e escapam de dentro de mim.
Digo isso por que minha filha de 3 anos e 3 meses costuma me pedir muitos beijos e amaços em algum horário do dia. Isso dura mais ou menos 30 min, mas é diário. parece um vício que ela precisa pra poder passar bem o dia. Eu sempre vi este momento como uma necessidade dela, como se eu fosse só o objeto do desejo e do prazer dela, feito um copo de bebida ou outra droga qualquer que sacia uma dependência. E me servia a ela porque de alguma maneira pensava que aquilo seria bom para o desenvolvimento afetivo dela.
Mas hoje percebi que essa necessidade não é só dela.....talvez até, eu necessite mais dela do que ela de mim. Talvez eu necessite mais dos beijos, abraços e grudes dela do que ela pode me dar e desta forma eu sempre sinto um vazio quando a deixo na escola e sempre sinto uma felicidade apertada de saudade quando a busco....então percebo que a maternidade realmente me coloca, a todo o momento, num paradoxo entre o eu e o outro, entre a razão e a emoção, entre o concreto e o não vísível....vejo que minha imaturidade ainda precisa a prender a conviver com os extremos e caminhar em direção ao dentro, onde os afetos se perdem na razão e não há mais culpa, nem ansiedade por tentar se diferenciarem por que são a mesma coisa de um contínum que estão em momentos diferentes de existência, mas necessitam um do outro pra poderem se manifestar com plenitude de intensidade.
Portanto Sr. Freud, parece que isso se aproxima da simbiose mas suspeito também que ultrapassa o conceito de patológico porque Penso!!!E nesse momento me diferencio e nos diferenciamos, e saímos mais inteiras como pessoas.
Luísa, em 3 anos já me mostrastes mais do que pude perceber em 10 anos de terapia e eu, espero que 10 anos de terapia possa contribuir pra que eu possa te acompanhar nas tuas descobertas. Um grande beijo. Te amo
Marzie